terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Thoughts Distant

Ela abriu os olhos lentamente, sentindo o ar preencher seus pulmões. Já havia perdido a conta de quanto tempo estava deitada naquele sofá empoeirado. Reunindo todas suas forças, levantou-se. Seguiu até o banheiro. No espelho, seu reflexo. Os cabelos claros, despenteados. A pele alva, com grandes marcas arroxeadas abaixo dos olhos vermelhos de cansaço ou mesmo de choro. Quem era aquela? Ela se perguntava constantemente. Não se reconhecia mais. Já não conseguia lembrar ao menos como era se sentir realmente viva. Não tinha mais forças para nada, era como se ela estivesse morta. Lavou o rosto, enxugando com as próprias mãos. Foi até o seu quarto, onde o encontrou da mesma forma que havia deixado. Os lençóis bagunçados, as janelas fechadas, o porta-retrato atirado em um canto. O porta-retrato que ela havia ganhado dele. 
Deitou-se sentindo que aquela seria mais uma noite a qual passaria acordada, batalhando para que os maus sonhos a abandonassem, assim como ele, o amor de sua vida, havia feito. Lembrou-se de algumas coisas do passado e com os pensamentos vieram as lágrimas que não eram novidade a essa altura. Lembrou-se das palavras que ouviu de sua mãe e que vinha repetindo para si mesma nas últimas noites: Toda espera tem seu fim. Uma hora aquela dor e sofrimento iriam cessar e ela voltaria a ver seu reflexo no espelho. Mas desta vez, seria melhor que no passado, diferente do presente. Seria uma nova mulher, uma mulher que venceu a abstinência que era viver sem amor.

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